Mas recentemente vi um documentário interessante no History Channel, colocando em dúvida a idoneidade da empresa neste jogo. Primeiro porque a partida foi realizada na sede da IBM, sem presença de público, transmissão ao vivo para o mundo, e sabe-se lá o que havia por trás daquele computador.
Em segundo lugar porque, embora a IBM possa ter programado o Deep Blue com várias partidas de Kasparov, e assim tentar entender como funcionava a mente dele, foi negado ao campeão russo que tivesse quaisquer informações sobre partidas gravadas na memória do computador, para tentar entender como este pensava. Coisa mais do que normal no xadrez ou em qualquer outro esporte: conhecer o adversário.
Terceiro: Kasparov ganhou facilmente a primeira partida melhor de 7 contra o Deep Blue. E após o jogo, quando se despedia do pessoal e dizia "até amanhã", ouviu alguns funcionários dizendo que havia muito trabalho para o dia seguinte. Como assim? Mudariam a programação do computador de um jogo para o outro?
Quarto: em uma das partidas o computador levou 15 minutos para realizar a jogada. Por mais que existam milhares de possibilidades de movimentos num jogo de xadrez, é inadmissível que um algoritmo demore tanto tempo. Até porque nos jogos de xadrez os participantes têm um limite de 2 horas para realizar todas as suas jogadas. Logo devia haver uma grande penalidade no quesito tempo na programação deste computador. Além disso, Kasparov disse que chegou a deixar peões para o sacrifício em determinada partida, o que qualquer adversário aceitaria de bom grado, mas o computador curiosamente recusou.
Quinto: o que foi feito do Deep Blue depois do jogo? Nada! O código-fonte jamais foi revelado. Ele encontra-se hoje dentro de uma caixinha no Smithsonian Insitute, em Washington. Mas sabe-se lá o que exatamente tem dentro da caixa. E a IBM jamais chegou a usar novamente este programa.
Sexto: a IBM passou por uma série crise que quase fechou as portas da empresa. Antes vendedora apenas de hardwares, a empresa passou a vender também softwares e serviços. E essa mudança deu-se bem na época do duelo Homem x Máquina. Detalhe: logo após esta partida as ações da IBM cresceram 15% em Wall Street.
Claro que o documentário conta apenas a visão de Kasparov, não foi ouvida a versão da IBM sobre essa história. Mas tudo leva a crer que Kasparov não enfrentou uma simples máquina que havia alguém por trás, possivelmente uma equipe de jogadores de xadrez ou quem sabe até mesmo algum ex-campeão. E provavelmente jamais saberemos se o duelo entre o homem e a máquina foi idôneo ou se foi uma grande farsa.

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