quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Deep Blue x Garry Kasparov

Em 1997 o campeão mundial de xadrez, e considerado o "Pelé" deste esporte, o russo Garry Kasparov, foi desafiado pela IBM para enfrentar o Deep Blue, computador que eles haviam criado e, segundo eles, venceria qualquer ser humano em um jogo de xadrez. E o Deep Blue levou a melhor.

Mas recentemente vi um documentário interessante no History Channel, colocando em dúvida a idoneidade da empresa neste jogo. Primeiro porque a partida foi realizada na sede da IBM, sem presença de público, transmissão ao vivo para o mundo, e sabe-se lá o que havia por trás daquele computador.

Em segundo lugar porque, embora a IBM possa ter programado o Deep Blue com várias partidas de Kasparov, e assim tentar entender como funcionava a mente dele, foi negado ao campeão russo que tivesse quaisquer informações sobre partidas gravadas na memória do computador, para tentar entender como este pensava. Coisa mais do que normal no xadrez ou em qualquer outro esporte: conhecer o adversário.

Terceiro: Kasparov ganhou facilmente a primeira partida melhor de 7 contra o Deep Blue. E após o jogo, quando se despedia do pessoal e dizia "até amanhã", ouviu alguns funcionários dizendo que havia muito trabalho para o dia seguinte. Como assim? Mudariam a programação do computador de um jogo para o outro?

Quarto: em uma das partidas o computador levou 15 minutos para realizar a jogada. Por mais que existam milhares de possibilidades de movimentos num jogo de xadrez, é inadmissível que um algoritmo demore tanto tempo. Até porque nos jogos de xadrez os participantes têm um limite de 2 horas para realizar todas as suas jogadas. Logo devia haver uma grande penalidade no quesito tempo na programação deste computador. Além disso, Kasparov disse que chegou a deixar peões para o sacrifício em determinada partida, o que qualquer adversário aceitaria de bom grado, mas o computador curiosamente recusou.

Quinto: o que foi feito do Deep Blue depois do jogo? Nada! O código-fonte jamais foi revelado. Ele encontra-se hoje dentro de uma caixinha no Smithsonian Insitute, em Washington. Mas sabe-se lá o que exatamente tem dentro da caixa. E a IBM jamais chegou a usar novamente este programa.

Sexto: a IBM passou por uma série crise que quase fechou as portas da empresa. Antes vendedora apenas de hardwares, a empresa passou a vender também softwares e serviços. E essa mudança deu-se bem na época do duelo Homem x Máquina. Detalhe: logo após esta partida as ações da IBM cresceram 15% em Wall Street.

Claro que o documentário conta apenas a visão de Kasparov, não foi ouvida a versão da IBM sobre essa história. Mas tudo leva a crer que Kasparov não enfrentou uma simples máquina que havia alguém por trás, possivelmente uma equipe de jogadores de xadrez ou quem sabe até mesmo algum ex-campeão. E provavelmente jamais saberemos se o duelo entre o homem e a máquina foi idôneo ou se foi uma grande farsa.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Homem de Lata

O filme na verdade é o Homem de Ferro, mas achei tão ruim que resolvi chamar de Homem de Lata mesmo. E antes que alguém me xingue por falar mal do filme, queria apenas frisar que esta é a minha opinião. Você pode até discordar de mim, só peço que por favor me respeite.

Tony Stark é dono de um dos maiores fabricantes de armas dos Estados Unidos. Após uma visita ao Afeganistão para demonstração de seu míssil de última geração, ele é capturado pelas forças talibãs que decidem soltá-lo apenas se ele fizer o mesmo míssil para eles. Tony aproveita do material que dispõe e da ajuda de Yinsen, seu "intérprete" durante a prisão, para desenvolver uma armadura de ferro e assim conseguir escapar. De volta aos Estados Unidos, ele decide concentrar seus esforços em aprimorar a armadura, e com isso arranja briga com Obadiah Stane, seu sócio.

O filme realmente não me agradou em nada. Os poderes são completamente artificiais, tudo criado pelo homem. Não há nada de poético como a capa vermelha do Super-Homem, as teias do Homem-Aranha ou o cinto de utilidades do Batman. Justamente isso leva o espectador a crer que essa história é mais realista, ou melhor, menos fantasiosa do que os outros filmes de super-heróis.

Mas aí está o ponto que me desagradou: é impossível alguém em sã consciência crer que Tony conseguiria sozinho ser o CEO da empresa e ao mesmo tempo ter tanto conhecimento técnico a ponto de desenvolver uma armadura tão complexa. Sem falar que, se ele demonstra ter conhecimentos acima da média sobre aeronáutica (basta ver quando ele fala sobre a razão peso por tração, ou quando participa de uma discussão sobre o futuro da aviação estar em aeronaves não-tripuladas), é no mínimo frustrante que ele não saiba dos problemas causados por gelo em elevadas altitudes.

Como o filme é do ano passado e acho que todo mundo já havia visto (menos eu, que vi hoje), acho que não tem problemas em contar o final por aqui. O que mais me doeu foi, no fim do filme, durante a coletiva de imprensa, quando Tony Stark admite ser o Homem de Ferro. Que raio de super-herói que se preze é capaz de revelar sua própria identidade de maneira tão aberta ao mundo inteiro? Super-Homem, Batman, Homem-Aranha, todos eles buscam esconder a sete chaves sua identidade, por razões mais do que óbvias. Um super-herói assim, que se deixa levar pelo sucesso e pela mídia, definitivamente não merece ser chamado de super-herói. Além de tudo é uma falta de caráter, coisa que deveria ser mais valorizada que os próprios super-poderes.

Em 2010 vem a continuação. Que pena. Seria muito melhor se usassem esse dinheiro para uma adaptação do livro do Harry Thompson.


PS: Tecnicamente falando (leia-se efeitos especiais, incluindo-se aí as armaduras de ferro utilizadas) o filme é realmente impecável. Mas nem por isso gostei dele.

Herói



Ontem tive o privilégio de assistir novamente ao filme Herói, do cineasta chinês Zhang Yimou. Foi o primeiro filme dele que vi, isso em 2004. Além deste, hoje já vi também O Clã das Adagas Voadoras, A Maldição da Flor Dourada e Lanternas Vermelhas. Mas acredito que Herói é sua grande obra-prima.

A história do filme se passa há mais de 2 mil anos, quando o território que hoje é conhecido como China era antes dividido em 6 reinos que lutavam constantemente entre si. O rei de Qin (em chinês "Chin", ou "China") tem a ambição de unificar os 6 reinos em um só país e posteriormente até expandir os domínios. O que tem causado desejo de vingança por parte de famílias que estão sofrendo na guerra.

O herói Sem Nome, interpretado por Jet Li, é um deles. Usualmente ninguém pode chegar a uma distância de 100 passos do rei. Porém, por ter ferido um dos assassinos que certa vez tentara matar o rei, ele pode chegar a 20 passos. E por ferir um segundo, a 10 passos. Seguem-se então várias versões da mesma história, sobre como o herói Sem Nome conseguiu chegar tão perto do rei, com a única intenção de matá-lo.

As cenas de luta são fenomenais durante quase todo o filme. Mas mais do que um filme de luta, este é um filme sobre a China. A fotografia e a direção de arte, ambas belíssimas, fazem com que qualquer um que veja o filme fique com vontade de visitar a China. E a mensagem que o filme passa nada mais é do que o grande sentimento que os chineses carregam sobre a "Sua Pátria". Como já mencionei, uma verdadeira obra-prima.

Nos Confins do Mundo

A viagem de Charles Darwin a bordo do HMS Beagle definitivamente mudou a história do homem. E ela é muito bem retratada neste livro, a grande obra-prima do escritor Harry Thompson.

Mas o personagem central da obra não é Darwin, mas sim Robert FitzRoy, o comandante da expedição. A história começa contando como FitzRoy, um jovem promissor recebe o comando do Beagle para uma expedição na América do Sul. Embora a viagem que levou Darwin, a segunda de FitzRoy no Beagle, seja o foco da narrativa e consuma quase metade do livro, pode-se dizer que esta é uma espécie de biografia romanceada de FitzRoy; pois conta toda a vida do comandante após a viagem.

Tanto Darwin quanto FitzRoy no começo são cristãos extremamente devotos e acreditam piamente nas Sagradas Escrituras. Darwin, aliás, cursava a faculdade mas tinha intenção de virar clérigo após se formar. Mas a viagem, que tinha por objetivo fazer a cartografia da região da Patagônia e coletar espécimes de animais desconhecidos para catalogá-los, parece mudar a cabeça do jovem cientista. São muitos e extremamente bem elaborados os diálogos filosóficos entre FitzRoy e Darwin, nos quais o comandante está sempre defendendo sua fé enquanto o cientista começa a colocar em dúvidas a própria existência de Deus.

FitzRoy pode não ter se tornado tão famoso quanto Darwin, que definitivamente mudou a comunidade científica. Mas FitzRoy também teve seus méritos. Suas cartas de navegação da América do Sul desenvolvidas na viagem foram extremamente precisas, e só ficaram obsoletas mais de 150 anos depois, quando as fotos de satélite permitiram obter maior acurácia. Foi ele também o primeiro homem a pensar em fazer previsão do tempo através da observação das correntes de ar; previsões essas que certamente até hoje salvam muitas vidas.

No entanto, é triste percebermos através do livro como picuinhas e brigas políticas podem acabar com boas ideias e com boas pessoas. Mais que isso, como pessoas competentes podem ser relegadas em função de outros interesses. E da mesma forma que muitos herois de verdade ficam no anonimato, certamente a História está cheia de falsos herois.

Um livro que não só nos traz ao conhecimento este ilustre personagem, como também retrata muito bem a visão do mundo antes e depois de Darwin. Isso sem falar na maneira extremamente realista como os fatos são colocados. Como se não bastasse, é uma delícia de ler. Uma pena que tenha sido o único livro escrito por Harry Thompson, que morreu pouco após a publicação. Leitura obrigatória para todos os fãs de ficção histórica.

domingo, 20 de dezembro de 2009

Avatar

Em 2003, quando do lançamento de O Senhor dos Anéis - O Retorno do Rei, filme que conquistou 13 Oscars, James Cameron disse que estava na hora de brincar de efeitos especiais novamente. A trilogia de Peter Jackson havia nos apresentado a Gollum, um ser digital criado em cima de um ator de verdade, dando assim maior credibilidade ao personagem, até mesmo pela maneira como os outros atores contracenavam com ele.

Cameron, que já havia presentado os fãs da ficção científica com os dois primeiros filmes da franquia O Exterminador do Futuro, resolveu então ir atrás da Weta Workshop, empresa que fez o Gollum, para ajudá-lo em um filme de ficção científica. Após 4 anos e algumas centenas de milhões de dólares de orçamento, veio o resultado: Avatar.

O personagem principal, Jake Sully, é um ex-soldado americano que após ficar tetraplégico foi colocado em estado criogênico. Ele é retirado após poucos anos para uma missão especial. Acontece que no planeta Pandora existiam umas criaturas humanóides azuis de 3 metros de altura, os Na'vi. A atmosfera do planeta no entanto é nociva aos seres humanos. Então os cientistas desenvolveram criaturas Na'vi através de uma combinação do DNA deles com o de seres humanos. E poderiam ser "pilotadas" pelos seres humanos cujo DNA foi usado para elaboração destes avatares. Um dos escolhidos para ser piloto de avatar era o irmão de Jake Sully, mas ele morrera pouco tempo antes. Como era um investimento pesado para ser jogado fora, Jake é chamado para pilotar o avatar de seu irmão.

Mas Jake perde-se do grupo logo no primeiro dia da missão em Pandora, e é salvo da morte por uma Na'vi, Neytiri. Ele acaba então ficando com os Na'vi, passando a viver com eles. Em muitos aspectos, o filme lembra Dança com Lobos, ou então O Último Samurai. Em outros, lembra Matrix, pois o corpo de Jake fica na base americana, enquanto o Avatar fica em Pandora. E Jake controla apenas um corpo por vez.


Com cenários e efeitos visuais de tirar o fôlego, Avatar é realmente um espetáculo à parte. Usa a tecnologia não apenas para criar os efeitos visuais em si, mas para criar cenários que auxiliam a contar a história, a construir os personagens. Não é como 2012, no qual vários aspectos devem ser relevados. Talvez seja como Beowulf, que foi uma animação tão próxima à realidade que surpreende pela perfeição. E com uma história que, se não é muito inovadora, também está longe de ser ruim.

Muitos dizem que o filme só é legal por ser em 3D, que a versão normal não seria tão legal assim. Eu discordo, acho que teria gostado do filme mesmo se tivesse visto a versão 2D. Como mencionei, o filme 2D talvez esteja no mesmo patamar que Beowulf, que eu também adorei.

Espero realmente que James Cameron, que estava há 12 anos sem filmar (seu último filme foi Titanic), não inicie agora um novo período sem filmagens. Espero que ele continue nos presenteando com filmes como esse, que nos fazem realmente sentir prazer em sair de casa e ir ao cinema para assisti-los.

Barça é Campeão do Mundo!


Finalmente! Após duas fracassadas tentativas em 1992 e 2006 de conquistar o Mundial Interclubes, o Barcelona finalmente conquistou este título inédito. As referidas derrotas vieram contra o São Paulo e o Internacional, que jogaram de branco, assim como o Estudiantes na final deste sábado. E o branco que por um acaso é a cor do Real Madrid.

E a maldição da camisa branca começou a assombrar novamente: aos 37 minutos do primeiro tempo Boselli abre o placar para os argentinos. Num primeiro tempo no qual o Barça teve maior posse de bola mas não criou muitas oportunidades (apenas uma com Xavi), o Estudiantes aproveitou uma chance isolada. Na segunda etapa o Barça voltou mais objetivo, criou boas oportunidades com Ibrahimovic mas o gol não saía. A verdade é que o Barça sentia e muito a falta de Iniesta no meio campo. Além é claro de Messi, que esteve muito apagado.

Mas, quando todos imaginavam que o Barça sucumbiria novamente, quiseram os deuses do futebol que Daniel Alves encontrasse Pedro livre de marcação dentro da área para tocar de cabeça pro fundo das redes e empatar o jogo aos 43 minutos da etapa final. Com isso o jogo foi pra prorrogação. E mesmo apagado, Messi ainda foi capaz de fazer um gol de peito na pequena área, após outro cruzamento de Daniel Alves.

Essa vitória coroou a última temporada do Barcelona. O time venceu a Copa del Rei de España, o Campeonato Espanhol, a Liga dos Campeões da Europa, a Supercopa da Espanha, a Supercopa Européia e agora o Mundial Interclubes. Ou seja: todos os títulos que disputou no ano. Isso sem falar que o técnico Pep Guardiola já ganhou todos os títulos que poderia disputar como treinador de um clube de futebol na Espanha.

Parabéns ao grande Barça!

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Boeing 787 Dreamliner

Talvez hoje tenha sido o dia mais importante na História da Aviação desde que entrei para este ramo da indústria. E isso porque hoje foi o primeiro voo do novo avião da Boeing, o 787 Dreamliner. Este voo inaugural estava atrasado já há alguns meses e piadinhas não faltaram por aí.

Mas o revolucionário avião decolou. E pousou! O 787 é um avião para 250 passageiros, consome 20% menos combustível que o 767 (que leva o mesmo tanto de gente) e conta com diversas inovações. Desde a estrutura feita em material composto até o sistema de ar-condicionado, tudo é inovação.

Pra quem quiser acompanhar, segue o vídeo da decolagem.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Eleições no Santos

Os mandatos no Santos duram 2 anos. No final de 2007, com um time vice-campeão brasileiro, Vanderlei Luxemburgo disse que só ficaria no time se Marcelo Teixeira fosse re-eleito. Era sabido que a equipe só estava ali no topo devido ao treinador, de modo que ele foi o principal cabo eleitoral.

Só que uma semana após a eleição Luxa trocou o Santos pelo Palmeiras, por apresentar uma proposta melhor. O Santos até que fez uma campanha razoável na Libertadores, mas teve desempenhos pífios no Paulista e principalmente no Brasileirão, no qual escapou do rebaixamento nas últimas rodadas.

Em 2009 a chegada de Vágner Mancini trouxe novo fôlego. Junto com jogadores como Mádson, Paulo Henrique Ganso e Neymar, o Santos chegou à final do Paulistão. Bem mais do que se esperava no começo do ano. Mas no Brasileirão, com o time ocupando posições intermediárias na tabela, Marcelo Teixeira novamente traz seu cabo eleitoral para tentar se salvar no fim do ano. E novamente Luxa diz que só permanece no clube com re-eleição do mandatário. Mas se ele chegou com discurso de Libertadores, terminou amargando um 12o. lugar, mais ou menos a posição que o clube se encontrava quando assumiu. Não deu em nada. E com isso o feitiço virou contra o feiticeiro, e Marcelo Teixeira não foi re-eleito.

Marcelo Teixeira fez muito pelo Santos. Assumiu em 1999 após a desastrada direção de Samir Abdul-Hak. Tirou o Santos da fila. Conquistou 2 campeonatos brasileiros e 2 campeonatos paulistas. Sem falar nas campanhas brilhantes nas Libertadores de 2003 e 2007, que infelizmente não terminaram em título. Mas 10 anos é muito tempo. E os últimos 2 anos mostraram muito bem o desgaste da atual gestão. Bem que o Marcelo Teixeira poderia ter preparado um sucessor ao invés de tentar se eternizar no poder. Renovação é sempre bom.

Pouco se sabe de Luís Álvaro, agora eleito o novo presidente do time da Vila. Mas tomara que ele traga mesmo uma renovação ao Santos. O time está precisando disso.

Cariocas vencem o Brasileirão

O Vasco já havia vencido a Série B e garantido seu retorno à elite, começando a festa carioca. Já na Série A, num campeonato em que todos achavam que o Palmeiras seria campeão (ou talvez o São Paulo) e muitos (inclusive eu) já davam o Fluminense como rebaixado. Mas não foi bem o que aconteceu.

Eu sempre dizia que o Flu estava devendo um título da Série B ao futebol brasileiro. Rebaixado em 1996, eles viraram a mesa. Foram rebaixados novamente em 1997, e dessa vez foram mesmo para a segundona. Em 1998, quando achavam que seria muito fácil retornar à elite, outra descenso: desta vez à Série C. Em 1999 eles conquistam o título da terceira divisão. Mas no ano 2000, uma nova virada de mesa, desta vez para salvar o Botafogo, acaba por incluir o Flu na primeira divisão. De onde não saiu mais. No entanto, dada a garra mostrada pelo time este ano e por uma campanha histórica fugindo do rebaixamento, acho que o Flu finalmente pagou sua conta. Mostrou a todos que podia sim se salvar do rebaixamento.

Quanto ao Botafogo, eles também se salvaram graças a vitórias sobre Palmeiras e São Paulo, favoritos ao título, nas últimas rodadas da competição. Mostraram personalidade e sequer mereciam se encontrar na situação de rebaixamento.

Já o Flamengo, este sim tem o que comemorar. No meio do campeonato acabam trocando de técnico e o interino Andrade, no qual poucos acreditavam, mostrou toda a sua competência. Os principais jogadores do título foram o meia Petkovic, que veio para saldar uma dívida da diretoria, e Adriano, que chegou ao clube por seu amor à camisa e à vontade de morar no Rio. E o título foi sim merecido. É verdade que Palmeiras, São Paulo e Inter tiveram seus tropeços, mas isso não tira o brilho da arrancada fulminante dos cariocas. Até porque, em um campeonato por pontos corridos sempre vence o melhor.

Parabéns aos rubro-negros pela conquista do Hexa! (sim, eu considero o título de 1987 como sendo do Flamengo)

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Sorteio dos Grupos

Eu particularmente acho que essa história de sorteio dos grupos da Copa é meio furado. Há uma divisão de forças e continentes inicial que é bastante interessante, afinal a graça do torneio é justamente ver os confrontos entre seleções de diferentes continentes. Além disso, é bom balancear as forças para não termos seleções fracas chegando às finais e seleções fortes caindo logo de cara. E acredito que os grupos saíram bem equilibrados, sem um "Grupo da Morte" propriamente dito. Seja como for, o Brasil caiu no grupo G, com dois jogos em Johannesburgo e um em Durban na primeira fase, os maiores estádios. Aliás, o Brasil, caso seja campeão de grupo e chegue à final, só jogará nos melhores estádios e nas cidades mais importantes. Exatamente como foi na Copa da Alemanha. Vamos lá aos comentários sobre cada grupo:

Grupo A: Os anfitriões eram o cabeça-de-chave mais fraco. E pegaram o europeu mais temido: a França. Jogo de estreia contra o México, outra seleção que todos queriam evitar. Que irônico! Duas seleções que todos temiam caem no grupo do cabeça-de-chave mais fraco para equilibrar as coisas. E a França caiu no único grupo em que poderia ser considerada favorita. O Uruguai completa o grupo. Não chega a ser um grupo da morte pois nenhuma dessas seleções é favorita ao título. Mas acho que todas elas podem sonhar com uma vaga na segunda fase.

Grupo B: Argentina, Nigéria e Grécia voltam a cair no mesmo grupo, assim como em 1994. Dessa vez a Coreia do Sul completa o grupo. Mesmo tendo chegado até a semifinal em 2002 e contando com o atacante Park que joga no Manchester Utd., acho que a Coreia é a seleção mais fraca. Não coloco muita fé na Grécia, mesmo tendo sido campeã da Eurocopa-2004. E a Nigéria volta à Copa com uma seleção bem mais fraca que aquela dos anos 90, mas que pode surpreender por jogar na África. A Argentina cai num grupo relativamente fácil, que eles mesmos chamam de "Grupo da Sorte". Vale lembrar que em 2002, após uma classificação difícil nas eliminatórias, o Brasil caiu num grupo fácil. Será que a história se repete agora com a Argentina? É bem possível.

Grupo C: A Inglaterra deve ter trabalho contra os Estados Unidos, mas acho que vencem sem problemas. Argélia e Eslovênia correm por fora, mas acho difícil que consigam se classificar.

Grupo D: Parece um grupo fácil para a Alemanha. Mas a Austrália mostrou na última Copa que não é tão fraca assim. A Sérvia é uma seleção europeia forte que não pode ser menosprezada. Não é à toa que ganharam o grupo da França nas eliminatórias, obrigando o time de Henry a jogar a repescagem. E Gana é uma seleção africana forte também. Perderam para o Brasil em 2006 mas deram trabalho. Melhor a Alemanha não menosprezar os adversários, senão já cai no primeiro grupo.

Grupo E: Holanda deverá enfrentar a Dinamarca logo de cara. Longe de ser a dinamáquina dos anos 80 e 90, essa seleção deve ser respeitada por ter vencido o grupo de Portugal nas eliminatórias. O Japão acredito que não vai meter medo em ninguém. E Camarões é, na minha opinião, uma seleção favorita ao título. Pra mim o adversário mais difícil dos holandeses.

Grupo F: A Itália pegou uma moleza. À excessão do Paraguai, que deve ser o segundo do grupo, o resto é uma mamata. A Nova Zelândia é a seleção mais fraca da Copa, e a Eslováquia também deve ser apenas figurante.

Grupo H: Mamão com açúcar pra Espanha. Suíça, Honduras e Chile não apresentam grande perigo, e os campeões europeus são favoritos ao título. Acredito que o Chile fique em segundo na chave.

Por fim, o grupo do Brasil. A Coreia do Norte é uma incógnita. Acho que é apenas um figurante, e deve ser o saco de pancadas desse grupo. Mas a Copa do Mundo é cheia de surpresas, e a Coreia do Norte, em sua única participação em 1966, derrotou a Itália. Pouco se sabe a respeito, seus jogadores são desconhecidos. Se arrancar um empate no grupo já terá sido zebra. Se vencer então...

Depois o Brasil enfrenta a Costa do Marfim. Outra seleção africana fortíssima. O ataque é formado por Kalou, Keita, e o excelente Didier Drogba. Todos jogam em times de ponta da Europa. Sem falar no meio-campo Yaya Touré, do Barça. Não devem em hipótese alguma ser subestimados. Depois de Camarões, acho que são a seleção africana mais forte.

Por fim Portugal. Acho até que Brasil x Portugal será o jogo mais esperado da primeira fase, assim como foi Argentina x Holanda na última Copa. Contando com jogadores como Liédson, Nani. Deco, Pepe além é claro de Cristiano Ronaldo, Portugal passou por dificuldades no começo das eliminatórias, mas cresceu no final e classificou-se. Na Copa podem crescer novamente, e Cristiano Ronaldo poderia repetir o feito de Eusébio em 1966 e eliminar o Brasil no último jogo da primeira fase.

Concluindo: o grupo do Brasil é sim muito forte. Acho que o mais forte da Copa. Bem mais forte que os de 2002 e 2006. O que é muito bom. Se em 2002 isso serviu pra dar ritmo de jogo à equipe, em 2006 fez com que a seleção se acomodasse, achando que tudo estava no papo. O que não dá pra fazer agora com um grupo desses. Olho na Argentina. Eles sim podem ganhar ritmo de jogo e crescer na competição. E olho nos africanos também!